Rio-Santos
A longo da estrada Rio-Santos, três documentadores buscam resgatar a si próprios. Uma jovem fotógrafa procura pelo pai, um artista plástico famoso tenta redescobrir sua juventude e um artista incompreendido exercita sua perigosa obsessão.
Partindo de um velho documentário de surfe filmado nos anos 70 e da vontade de resgatar alguma coisa daquele tempo onde a vida era simples e tudo era possível, os destinos destes três personagens se entrelaçam de maneira definitiva.
Ofélia, decidida e determinada, sai de São Vicente, a nado, em direção a Tedesco, que ela acredita estar em Ubatuba. Antes de dar início a sua jornada, ela manda uma carta para ele, avisando que está a caminho. Tedesco lê a carta escrita por Ofélia e conclui que o passado pelo qual ele procura talvez não esteja no velho documentário que ele filmou ali, quando jovem. Surpreso e encantado com a possibilidade de uma paternidade tardia, Tedesco pede que Smutter siga Ofélia no longo percurso que ela resolveu fazer nadando. Ofélia não se sabe seguida e, portanto, não percebe que Smutter acaba se envolvendo com ela bem mais do que Tedesco podia imaginar.
Enquanto Ofélia segue seu caminho, cheio de descobertas sobre seu próprio passado, Tedesco, com uma perna quebrada e isolado numa cabana no alto do Saco do Mamanguá, acompanha de perto todo o percurso através de equipamentos tecnológicos de última geração que Smutter usa com habilidade. Tedesco vê sua possível filha aproximar-se dele e, inevitavelmente, sua atenção, anteriormente focada no projeto de resgate do velho documentário, volta-se para Ofélia.
Mas Smutter descobre um velho trabalho de Tedesco, inspirado no quadro “A Morte de Ofélia”, de Milais. Alheio à questão da paternidade e enciumado pela atenção que a moça está recebendo de Tedesco, Smutter resolve reproduzir as imagens da jovem na água feitas por Tedesco muitos anos antes.
Tedesco finalmente se dá conta de que expôs Ofélia a obsessão de Smutter. Desesperado, ele tenta evitar que Smutter use Ofélia para registrar o momento máximo de intimidade e solidão: a morte. Mas não consegue. Tedesco e Ofélia não se encontram. E Tedesco recebe as imagens feitas por Smutter do afogamento de Ofélia – reprodução fiel de seu próprio trabalho, inspirado no quadro de Milais.
